Manifesto nômade

 

Manifesto circense!

De um RISCO iminente

Sentimos as vertigens do agora

Piolin comido e comidas para Piolin…

Como deglutir uma antropofagia do colapso?

Como ser o próprio alimento e expressão simbólica?

Como realizar um “festim” em inércia?

Seremos gastronomia do pós-modernismo antropofágico?

Oswlad, a ALEGRIA é a prova dos 9?

A pós-modernidade promete um nada que pretende ser território para tudo.

– Mais tekó porã, meno egotrip!

 

Manifesto nômade pós-modernista. Brasil, 2020.

 

Que corpo é esse? O que performa? Onde performa?

Questionar o que se move neste espaço-tempo de isolamento social frente à uma pandemia me provoca um movimento interno de reflexão sobre nossa condição humana, sobre o sensível e sobre nossa vulnerabilidade.

Como ser vivente, tenho a necessidade do convívio, do contato, do estar com o outro, do pulsar.  Como artista da cena e do corpo, tenho a necessidade de me contagiar pelo olhar, pelo sorriso, pelo tempo presente de existência. Sinto falta da respiração, da pele, das risadas, da rítmica do soar em uníssono quando afetamos e somos afetadas no picadeiro da vida.

Neste tempo de isolamento, reflito sobre como praticar, criar e fomentar arte circense no distanciamento social. Pensar nas Artes Circenses em território virtual me provoca movimentar alternativas e estratégias de repensar minha forma de conexão e comunicação enquanto individualidade, enquanto mulher periférica e no que tange a minha atuação profissional no cenário artístico e cultural em Minas Gerais.

No desejo de movimento e criação para falar das vertigens do agora, falarei sobre o tempo, sobre temporalidades, sobre suspensão do tempo, sobre pausas. Dentro do tempo de isolamento que nos é dado tenho desejo de percorrer pelo tempo, pelas historicidades da arte que nos abarca. 

Tenho fome de tempo. 

Necessito performar a minha escrita, a minha realidade cotidiana, a minha rotina em isolamento, a minha casa, os meus relacionamentos… Em outro território, outra realidade. 

 

(em breve isoladas experimentações poéticas)

Referência: GOMES, Luana Coelho da Silva. Manifesto Nômade, Belo Horizonte, 2020.